Sobre o Museu
Um Museu entre o Real e o Virtual
Por que um Museu do Sexo no Brasil?

Um Museu entre o Real e o Virtual

Cristina Bernardes
Filósofa e Produtora Editorial

Profª. Dra. Carmita H. N. Abdo
Idealizadora do Museu do Sexo
Psiquiatra. Coordenadora do Projeto Sexualidade (Prosex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Coordenadora Geral do Portal da Sexualidade. (http://www.portaldasexualidade.com.br)

Quando o pleno acesso à web tornou-se viável no Brasil a partir da década de 90, a mídia sugeria que um dos principais benefícios era o ganho cultural e educacional que traria às pessoas comuns. Cidades seriam conhecidas, obras clássicas estariam ao alcance do mouse, as mais diferentes músicas ficariam disponíveis, as notícias ganhariam velocidade on line, o conhecimento de séculos estaria indexado em bilhões de links, transações comerciais seriam feitas em minutos e cada pessoa poderia se comunicar e partilhar seus objetivos e desejos com milhões de outras pessoas.

Nesta etapa do processo histórico contemporâneo – iniciada nos anos 90 – que recebeu o nome de globalização, palavra que remete ao que é atual, dinâmico, tecnológico, de tempo acelerado, massivo, sem fronteiras, interligado e, em certa medida, democratizante – um atrativo importante à Internet que esteve no imaginário dos indivíduos foi a facilitação da visita virtual aos museus, como o Louvre, o Prado, o de Nova Iorque, o Centro Georges Pompidou, o Picasso em Barcelona, o Arqueológico de Olympia, etc. Este novo tipo de freqüência de visitantes impôs aos museus uma mudança de estética e de linguagem e uma necessidade de buscarem novos meios de manter a eficácia de sua finalidade.

O museu tradicional, parece, portanto, continuar a exercer um fascínio quer seja pelo patrimônio histórico e cultural que preserva e dá a conhecer, quer pela abertura em acolher novas manifestações e experiências que apontem para uma orientação social ou particular futura. Por sua vez, um museu na Internet possui ainda a agilidade de tornar acessível a indivíduos de qualquer local seu acervo digital, armazenar os mais diferentes registros (esculturas, músicas, livros, fotografias, vídeos, postais, cartas, áudios, pinturas, artigos, testemunhos, poemas, narrativas de mitos e muito mais) e organizar toda essa informação para que o visitante, ávido por rapidez e precisão, encontre o objeto de sua pesquisa.

Agentes da preservação da memória histórica, social e cultural dos povos, os museus tradicionais também reservam ao tema sexualidade um acervo específico. No Louvre e no Museu Britânico, por exemplo, cerâmicas, esculturas e pinturas do período neolítico, da Antigüidade clássica grega e romana, do período medieval e da Idade Moderna representam cenas do cotidiano de casais e do imaginário mítico que reúne força, beleza, poder, conquista, sedução e proteção. Estes acervos convivem com o contemporâneo e com as mostras que apontam novas tendências de comportamento sexual e expressão da sensualidade.


Arte grega do século II. Hermafrodita adormecido.
Acervo do Museu do Louvre.


Arte grega do ano 510.
Acervo do Museu do Louvre.


Arte grega do ano 510.
Acervo do Museu do Louvre.


Eros e Psique. Escultura do século I d.C.
Acervo do Museu do Louvre.


Prato em faiança com cena erótica do século XVI.
Acervo do Museu do Louvre.


Placa de terracota babilônica originária da Mesopotâmia (1800 a.C.).
Acervo do Museu Britânico.

Escultura de figura humana do período neolítico com sexo indefinido.
Acervo do Museu Britânico.
Taça romana de prata, século I d.C. com representação homoerótica.
Acervo do Museu Britânico.

 

Símbolo fálico romano, que ao ser colocado nos pórticos protegia a casa e trazia fortuna (século I, d.C.)
Acervo do Museu Britânico.
Deusa azteca Xochiquétzal protetora do sexo livre (México).
Acervo do Museu Nacional de Antropologia do México.

 

Homem e mulher em metal inca (Peru).
Fonte:incas/perucultural.org.pe
Terracota romana de 40-80 d.C. com caricatura da exuberância erótica de Cleópatra.
Acervo do Museu Britânico.